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O novo patrocinador vem aí!

Eu tinha só uma certeza sobre o novo patrocinador do Corinthians: ele seria divulgado na semana das eleições. E deixa eu correr no post, antes que seja anunciado hoje mesmo.

Caro amigo Corinthiano, você que está de coração apertado, cansado dessa novela de não encontrar dinheiro, de ver o logo da Medial na pança do Ronalducho,  e de ouvir o Timão reclamando da crise… acompanhe o meu raciocínio, por favor.

A famigerada Crise Mundial que assola os mais terríveis pesadelos de Barack Obama já surtiu efeitos por todo o mundo. Inclusive nas grandes empresas. Não que elas não tenham míseros 15 milhõezinhos para investir em um clube, mas fogem do noticiário como o diabo foge da cruz. Quanto menos souberem o número de demissões, melhor!

Se esse fosse o caso do nosso patrocínio secreto, tenham em mente que já estaríamos com um logo estampado na camisa há semanas. Quando a crise é braba, não tem essa de negociar não, gente, agarra no patrocinador e fecha o contrato, vide nossos arqui-rivais. É um tal de aceitar até geladeira, TV e telefone celular como pagamento. Joga na mídia, faz pressão, tira o logo dos quatro cantos do CT. É o famoso e desesperado “o que vier é lucro”. Não, não acredito que estejamos assim, não vi pressão nenhuma, não ouvi indiretas na imprensa, estamos com a Medial na camisa ou não estamos?

Mas então o negócio começa a ficar óbvio. As pessoas que costumam ter “fontes” dentro do Corinthians apareceram com discursos parecidos: valor alto, maior do que 20 milhões, empresa árabe ou Caixa, e muitas bolas foras. O ponto é que a negociação é segredo de estado. Nem a mãe do presidente deve saber o nome da empresa e os termos do contrato. Mas que ele já deve estar lá…. aaahhhh, ninguém me engana assim não.

O fator mais importante nisso tudo é: semana que vem acontecem as eleições no Corinthians. Vamos fazer uma simulaçãozinha rápida: você, caro leitor, está com um contrato de patrocínio milionário na gaveta, há uns quinze ou vinte dias da eleição e deve decidir o que fazer. a) Sai correndo e anuncia aos quatro cantos; b) desiste e tenta escutar outras propostas; c) Conta só para a Diretoria do clube, de confiança inabalável; ou d) não conta nem para a sua sombra e espera a eleição chegar bem pertinho, para anunciar quando os opositores pretendem algum golpe e dar-lhes um belo nocaute?

Elementar, meus caros. Quanto mais demora o patrocínio, mais tranquila eu fico. Vem bermuda e manga com valores altos, contrato com a nike reformulado, benefícios e um belo patrocínio no peito, prontos para estrear no domingo, contra os bambis, e comemorando a vitória do novo presidente corinthiano. Podem acalmar os ânimos.

 

(já ressalto que não tenho contatos, não tenho fontes, não sei de nada, é um puro exercício mental de raciocínio lógico – pelo menos nessa cabecinha Loira)

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E começou a série: FECHARAM O PATROCÍNIO DA MANGA POR 8 MILHOES DE REAIS!

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Pagar caro para ver o Corinthians

Vou falar do primeiro de dois temas que estão gerando polêmica nos últimos dias: o aumento no preço dos ingressos. O outro, o patrocínio, em outro momento.

Até o final do ano passado, o Corinthiano pagava R$15,00 para frequentar os setores “populares” do Pacaembu. As arquibancadas especiais e numeradas custavam R$40,00 e R$50,00, respectivamente. Era o preço para ver o nosso timão na série B. Era o preço que resultou em uma média de público de 23.786 pessoas, com arrecadação média de R$ 474.296,84. Fazendo uma conta simples – e burra, talvez – chego facilmente à conclusão que a média de preço paga por torcedor que compareceu ao Pacaembu foi aproximadamente R$19,94.

Tomando como base os três primeiros jogos do Paulista – média de público de 16.270 e renda média 369.979,67 – o valor “per capta” seria de R$22,73. A queda no público médio, em relação à série B, foi de 31,59%, ao passo que a queda da renda foi de 21,99%.

Pressupondo que Ronaldo volte no começo de março, conforme previsto, teremos mais quatro jogos no Pacaembu (São Caetano, Santos, Ponte e Ituano) e, se Deus quiser, uma semi e uma final. Caso R9 jogue TODOS OS JOGOS e o estádio lote em todos eles, as chances de lucrar com o preço dos ingressos é enorme. Cresce ainda mais se pensarmos em utilizar o Morumbambi nos jogos finais.

Enfim, Rosemberg pede um voto de confiança e fala em ganhar muito dinheiro em bilheteria. Não vou crucificar o cara, mas tenho minhas dúvidas se vale mais o dinheiro ganho ou o torcedor no estádio. Fato é que ainda é cedo para tentar mensurar os resultados dessa ação e prever se a torcida irá, ou não, adaptar-se a esse aumento.

Como uma frequentadora de arquibancada e Fiel torcedora, admito que o aumento não atingiu o meu bolso, principalmente pelo fato de nosso desconto ter aumentado para 40%. Mas já frequentei muito a laranja e lembro bem como senti o golpe quando o preço subiu para 30 reais. Imagine para 70! Sou contra o aumento abusivo de ingresso para a Laranja. 50 reais é um preço justo.

Já quanto ao setor  VIP, sou favorável a manter o preço alto. De alguma forma devemos oferecer um serviço para a classe mais rica, já que lá também tem bastante Corinthiano. Espero, apenas, que os serviços deste setor aumentem e tornem o investimento ainda mais atrativo. Li um post legal no blog do Marcelo Lima: área VIP completa. É caro? É! Mas tem muita gente que pagaria! Apóio esse tipo de ação.

Porém, contudo, todavia…  lembro os meus queridos e fieis amigos de que nossa arquibancada de vinte reais teve lugares vazios durante a bela partida de sábado à tarde. Podem reclamar até. Mas façam o favor de ir ao estádio também.

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Em tempo, nada de vender por centos do Dentinho. E nada de atrasar salários. Fiquem calmos, parece que está tudo sob controle, por enquanto!

Should I stay or should I go?

O atacante Dentinho é um dos jogadores que carrega o Corinthians no coração, não tenho dúvidas. O moleque não esconde seu amor pelo clube e seus olhos brilham quando vê a Fiel cantando. E tem um plano de carreira, segundo o qual pretende permanecer mais alguns anos no Timão, alcançar a Seleção Brasileira e, por fim, ir para a Europa. Entretanto, deixa claro que “se receber uma proposta interessante para o Corinthians, aceita ser vendido antes da hora”. Proposta interessante, leia-se milhões e milhões de reais, o Corinthians torce para chegar.

O futebol de hoje é assim, clubes dependem da venda de jogadores para fazer dinheiro. E quando não o vendem por um preço suficientemente bom, torcem para que o jogador se valorize na Europa e gere alguma receita extra quando for vendido em posterior transação milionária.

O assunto veio a tona com a proposta absurda do Manchester City por Kaká. São milhões de Euro de perder a conta. E os mais interessados na negociação, obviamente, são os dirigentes do Milan e do São Paulo. Todo mundo quer ganhar a bolada, mas qual a vontade do jogador? Kaka já disse que ama o seu clube, e que pretende envelhecer por lá mesmo. Para o sentimentalismo demonstrado, uma outra proposta, ainda mais absurda e dizem que, desta vez, balançou o seu coração.

O que eu vejo é uma possível mudança de paradigmas no mundo do futebol, mesmo que bem distante. Enquanto o jogador pensa, Beckham declarou que “dinheiro não é tudo”. Sondados pelo City, Cristiano Ronaldo e Messi já disseram que não vão! Caso Kaká negue a proposta, estará trazendo um novo velho padrão de comportamento no futebol: o amor pelo clube.

Guardemos as devidas considerações de que ele já é milionário, de que Messi, por amor, teria ficado no Boca mesmo, etc etc etc. Eu sei que não será nenhuma mudança radical, mas pode ser um precedente. Se ele recusa, Cristiano e Messi seguem a linha e fazem escola nos grandes clubes da Europa, quem sabe daqui a  alguns anos não temos nossos Dentinhos dizendo que ficam porque aqui é o lugar deles. Para isso, muitas coisas devem mudar. Salários, condições, bons contratos, clubes mais estruturados, diminuição na exportação de atletas, boa gestão, e por aí vai.

Em contrapartida, caso aceite, tenho medo de que o futebol se torne mais absurdo ainda, com essas cifras estonteantes. Além do que, INTER-Arábia será o novo campeonato mais importante do mundo. E Fly Emirates estará estampado em todos os times do universo.

Enquanto esses tempos não chegam, espero que uns milhõezinhos de Euro venham das arábias para a nossa camisa. Aguardamos ansiosamente.

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Comentário: Seja lá por qual motivo e se é que é verdade, o City pronunciou-se em relação ao caso. Li no Globo.com:

Assessor de dono do City diz ue proposta milionária por Kaká é irreal – Jornal afirma que valor oferecido ao Milan seria de 50 milhões de libras

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AGRADEÇO AO MARCOS SILVEIRA, DO FUTEBOL & NEGÓCIO, PELA ATENÇÃO QUE DEU A MINHA PERGUNTA SOBRE PATROCÍNIO, MEDIAL E CONTRATOS.

Opinião de quem entende: Marketing

Yule, obrigado pelo comentário e pela participação no blog.
Quanto à sua questão: forjado pelo meu dia-a-dia profissional, acredito que contratos devam ser cumpridos à risca pois refletem uma negociação entre partes que chegaram a um acordo de benefício mútuo; desta forma, em primeira análise, não creio que o Corinthians devesse ostentar a marca de seu patrocinador após 31 de Dezembro; não dá tanta noção de “bagunça”, mas se está dando a alguém espaço gratuito, sobretudo com a mídia dada ao clube com a contratação de Ronaldo.
Penso que se o atual patrocinador deseja continuar com a manga, por exemplo, tal contrato já deveria ser estabelecido e lhe ser dado o espaço correspondente ao novo contrato enquanto o clube procura um outro patrocinador majoritário.
Mantenha contato, abraços.

Robert

Robert Alvarez Fernández é pesquisador e professor de marketing aplicado ao esporte da ESPM, também escreve para o blog Futebol & Negócio e respondeu atenciosamente ao mesmo questionamento que eu fiz ao Amir. Deixo meu agradecimento.

De Itu para o mundo

O companheiro de Ronaldo na concentração é o nosso Capitão Willian, sempre ponderado, sério e equilibrado. É com ele que ronaldo conversa quando está precisando de algo.

Diante das cameras, entretanto, quem está com o Fenômeno é André Santos. O nosso lateral aparece de coadjuvante nas fotos dos jornais desse mundão de meu Deus. Coincidentemente, assim como Dentinho, que não está na concentração, André é a aposta para representar o nosso time na Seleção Brasileira.

Esse marketing, minha gente, é bem espertinho!

Opinião de quem entende: Marketing

Amir,

Primeiramente, PARABÉNS pelos textos que escreve. Fiz uma rápida pesquisa sobre marketing esportivo e você tem textos excelentes.

Sou corinthiana e, de repente, deparei-me com uma dúvida gigantesca. Muitas são as pessoas que passaram a criticar o Corinthians por sustentar o logo da Medial, mesmo após o término do contrato.

Muitos falam em “amadorismo” e não-valorização da marca Corinthians. Eu entendo os argumentos, mas não concordo. Apesar de pouco saber sobre marketing, vou fazer umas considerações.

Muito comentam acerca da atitude do SPFC de tirar o logo do patrocinador no dia posterior ao término do contrato, o que, para muito, passa uma idéia de profissionalismo e boa administração.

Não acho que o Corinthians perca algo com a exposição gratuita da Medial, pelo contrário, é a demonstração de um ótimo relacionamento com o patrocinador, e uma parceria que foi saudável e benéfica para ambos os lados.

Além do mais, tirar o patrocinador às pressas é atitude agressiva, e de quem precisa fazer pressão por valores maiores. Não é o caso do Corinthians.

Por fim, acredito que, pelos altos valores que vêm sendo ventilados, o virtual prejuízo que teríamos nesses 15 dias de “não contrato” serão totalmente cobertos pelo novo patrocinador. Lembro, ainda, que é possível que a Medial continue algum tipo de parceria com o Corinthians.

Gostaria de saber a sua opinião. Você acha que manter o antigo patrocínio é desvalorização da marca Corinthians e sinônimo de amadorismo?

Olá Yule,

Muito obrigado pelos elogios.

Sua pergunta é excelente e creio que não há uma resposta do que é certo ou errado.

O SPFC acredita que com esse posicionamento valoriza sua cota de patrocínio, mas por outro lado tem uma relação menos harmoniosa com seu parceiro.

Já o Corinthians optou por “bonificar”seu parceiro e permitiu que a marca aproveitasse dos benefício de uma cota que custa R$ 1,3 milhão/mês. Mas com essa atitude apresenta uma relação mais harmoniosa com seu parceiro que pode manter algum investimento no clube.

Eu pessoalmente defendo um híbrido das duas abordagens, já que é possível ter uma relação harmoniosa entre as partes, sem deixar de lado o valor da cota de patrocínio do clube.

Um abraço.

Amir

Amir Somoggi é especialista em Marketing Esportivo, autor de diversos textos sobre o assunto, e escreve para o blog Futebol & Negócios. Atenciosamente, respondeu a minha dúvida. Deixo meu agradecimento.

Propaganda ou estratégia de marketing?

Quando tudo está certo, algo tem de estar errado, certo?

Há alguns dias ando atormentada com o patrocínio do Corinthians, ou a falta dele. Nem tanto o valor e as empresas. Mais com o logo da Medial estampado na cobiçada pança do Ronalducho. Parece absurdo que uma empresa “ganhe essa exposição gratuita” em cima do nosso Coringão.

Quem argumenta contra, fala em “cumprir contratos”, “amadorismo” ou “desvalorização da marca Corinthians”. Um célebre Anão de jardins da Vila Sônia encheu-se de ironia para perguntar: “Eu queria entender qual é a lógica de o Corinthians ainda exibir o logo da Medial. É sério, queria aprender como gestão.”

Apesar de pouco saber sobre marketing, vou fazer umas considerações:

Muito comentam acerca da atitude do SPFC de tirar o logo do patrocinador no dia posterior ao término do contrato, o que, para muitos, passa uma idéia de profissionalismo e boa administração. Não acho que o Corinthians perca algo com a exposição gratuita da Medial, pelo contrário, é a demonstração de um ótimo relacionamento com o patrocinador, e uma parceria que foi saudável e benéfica para ambos os lados.

Além do mais, tirar o patrocinador às pressas é atitude agressiva, e de quem precisa fazer pressão por valores maiores. Não é o caso do Corinthians. Acredito que, pelos altos valores que vêm sendo ventilados, o virtual prejuízo que teríamos nesses 15 dias de “não contrato” serão totalmente cobertos pelo novo patrocinador. Lembro, ainda, que é possível que a Medial continue algum tipo de parceria com o Corinthians.

Por fim, resgato uma reportagem do UOL de 12 de dezembro, na qual já se falava em apostar numa valorização de 60% da marca do time (em termos de patrocínio, R$26 milhões). Ou seja, foram negociar preparados para pedir mais e cientes do que seria bom ou não para a marca Corinthians. Ainda, o texto destaca que a apresentação de Ronaldo com o logo da Medial “além de respeitar o contrato, foi visto também como uma forma de agradecimento à empresa, que neste ano antecipou o pagamento de cotas para ajudar à quitação de dívidas antigas do clube“. Ora, o que é a valorização da marca de um clube, senão a demonstração de um bom relacionamento e gratidão ao seu patrocinador (o que endossa o produto), além do cumprimento das obrigações contratuais?